Projetos Integradores: estudos instigantes e criativos para a comunidade escolar

“As atividades propõem a busca pela reflexão e resolução de problemas e apresentam possibilidades para o desenvolvimento das competências e habilidades gerais da Base Nacional Comum Curricular”

 

Se a utilização dessa metodologia de aprendizagem tem, ao menos, meio século de história, por que a implantação dos projetos integradores nas escolas ainda é um tema de discussão para professores e gestores? O que há de diferente na proposta e na aplicação desses recursos e quais os caminhos propostos para a escola? Estes foram os questionamentos feitos a autores e profissionais desse segmento.

 

Qual a relação entre emoções e aprendizado?

 

Gerenciar as próprias emoções é um mecanismo sócio psicológico chave para se adaptar aos desafios e às dificuldades da vida. Isso envolve um processo de aprendizado complexo, que compreende: identificar e reconhecer o estado emocional de alguém, ser capaz de falar sobre isso e encontrar uma maneira funcional de resolver pequenos ou grandes desafios que vão aparecer na vida. Dada a importância das habilidades sócio emocionais, nós deveríamos começar a desenvolvê-las desde cedo, para que os estudantes se beneficiem disso ainda na educação primária. Emoções têm importante valor adaptativo. Muita ansiedade pode paralisar você, enquanto o oposto, isto é, sentir-se demasiadamente confiante, leva a um comportamento de risco excessivo ou de menos esforço no processo de aprendizado, resultando em fracasso ou perda. Estar atento à capacidade de cada aluno de gerenciar suas emoções desde cedo vai ajudá-lo a lidar com adversidades do seu cotidiano, e também isso terá impacto direto em seu aprendizado.

 

O que são os projetos integradores?

 

Em linhas gerais, são propostas pedagógicas que utilizam a metodologia de projetos para integrar, em uma proposta desafiadora e inspiradora, diversos componentes curriculares no processo de ensino e aprendizagem. Eles favorecem a maior participação dos estudantes e apresentam possibilidades para o desenvolvimento das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

As atividades abordam temas transversais, com assuntos que percorrem diversas áreas do conhecimento e que, paralelamente, colaboram para a educação socioemocional, com foco na formação do estudante e sua preparação para vida em sociedade e para o mercado de trabalho.

No desenvolvimento desses projetos, a aprendizagem é um processo que tem os estudantes como protagonistas e o professor como orientador. No entanto, no decorrer das atividades, toda a comunidade é envolvida pela relevância dessa proposta.

O objetivo é o de produzir insights que podem ser importantes na aplicação prática dessas ferramentas em busca de bons resultados entre profissionais da educação, estudantes, pais e responsáveis.

 

Um novo olhar

 

Como explica a autora da coleção Ativa Projetos Integradores, Aparecida Mazão, as ações típicas de projetos integradores sempre estiveram presentes nas escolas – como exemplo, estão as feiras de ciência, as mostras culturais e as atividades de investigação que envolvam estudantes, professores, coordenadores, gestores e comunidades diante de um tema comum.

“Não estamos apresentando uma metodologia desconhecida; o diferencial é entender essa proposta como uma estratégia intencional, planejada e organizada no cotidiano escolar”, ressalta.

Os professores auxiliam os estudantes na elaboração de hipóteses e caminhos possíveis, no desenvolvimento de argumentação para as problematizações e na busca e compartilhamento de soluções múltiplas, criativas, autorais e coletivas para as situações propostas nos projetos.

As atividades e experiências motivadoras são, em sua totalidade, pautadas em evidências científicas, que vão possibilitar a solidez necessária para o processo de aprendizagem.

“A investigação, a tomada de decisões e a atuação das equipes para atingir os objetivos propostos e situações problemas são algumas das estratégias dos projetos integradores para a obtenção de resultados determinados”, comenta a autora.

As aprendizagens propostas nos projetos integradores estão relacionadas aos métodos de investigação e, para isso, são sugeridas experiências que envolvem a observação, a coleta, a seleção de informações, a elaboração de soluções e a reflexão sobre os resultados obtidos, que são caminhos para explorar os temas com criatividade e autonomia, além de propor o exercício da empatia e do diálogo.

 

Os desafios para os professores

 

Na opinião da diretora-adjunta de produtos e serviços na FTD Educação, Silvana Rossi Júlio, além da reflexão sobre problemas mais próximos à realidade e da formulação de propostas criativas para sua vida em comunidade, há, ainda, a característica do desenvolvimento processual.

“Ao mesmo tempo que os alunos refletem sobre um tema, ele se constitui no uso e aplicação sobre suas habilidades cognitivas”, observa.

Diante dessa dinâmica, a diretora reforça a importância de acompanhamento do seu processo e um mapa de avaliação que dê visibilidade aos pontos de aquisição e, também, às necessidades de aprofundamento e melhoria.

“Nos livros de projetos integradores, propostos para o Ensino Fundamental e Médio, sugerimos temas e, principalmente, estratégias que buscam desenvolver as competências e habilidades”, complementa Silvana.

Os projetos integradores trazem para os docentes do Ensino Fundamental e Ensino Médio propostas atrativas que devem estar presentes no cotidiano escolar. Porém como ressalta Mazão, “o maior desafio é pensar e atuar de forma interdisciplinar e integrada, relacionando os temas de cada componente curricular, as competências e as habilidades das áreas de conhecimento”.

E por mais que a própria nomenclatura já denote esse tipo de relação, na visão da autora, a integração representa um obstáculo a ser superado – “isso é uma grande dificuldade, principalmente porque os educadores, no dia a dia, atuam cada um dentro da sua especialidade”, diz.

Nesse contexto, para aplicar os projetos integradores, o diálogo e as ações de planejamento devem ser constantes e envolver gestores, coordenadores e professores para a elaboração das práticas fundamentais para a implementação dessas propostas.

 

“Não estamos apresentando uma metodologia desconhecida; o diferencial é entender essa proposta como uma estratégia intencional, planejada e organizada no cotidiano escolar”