BNCC PROJETO DE VIDA

PROJETAR A

VIDA E A FELICIDADE

 Por Marcelo Daniel

Foi durante a faculdade de Psicologia que o então calouro Leo Fraiman – hoje um psico-terapeuta reconhecido em sua área de atuação, autor de livros e artigos amplamente divulgados na internet – leu sobre os estudos do neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl.

 

Em suas pesquisas, o teórico analisou os horrores vividos dentro dos campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial – o próprio Frankl é um sobrevivente do Holocausto.

 

“Após suas pesquisas sobre resiliência, ele constatou que o que mantinha as pessoas de cabeça erguida e fortes, mesmo naquela situação drástica, era ter um projeto de vida”, aponta Fraiman, que enxergou nesse episódio um insight que viria a nortear mais de trinta anos de sua atividade profissional no futuro. “Se o fato de ter um projeto maior foi capaz de libertar psicológica e espiritualmente uma pessoa de uma condição tão extrema como um campo de concentração, imagine um aluno, crianças e adolescentes aprendendo sobre isso desde cedo”, refletiu.

 

Desde sua formação, atuando como orientador educacional e profissional, além da psicologia clínica, ele passou a estudar e a aplicar as temáticas de projeto de vida e atitude empreendedora, que lhe possibilitaram desenvolver a Metodologia OPEE, sigla para Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo.

 

O tema passou a fazer parte do texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na competência de número seis, intitulada “Trabalho e Projeto de Vida”. No descritivo do documento normativo, que deve estar nos currículos brasileiros até o início do ano que vem, consta que o aluno deve apropriarse de conhecimentos e experiên-ias que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania.

 

Para a diretora de Projetos de Sociedade na Comunidade Reinventando a Educação (CORE), Gabriela Montenegro, é “importantíssimo” o fato de a base ter contemplado o assunto. “Penso que, para além dos conteúdos programáticos ensinados, as competências socioemocionais e a construção de valores são fatores determinantes para o sucesso do jovem no mercado de trabalho, no setor público, privado e em organizações sociais”, diz.


DESENHANDO COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS

 

Gabriela encontrou uma maneira de unir a proposta de educação de qualidade com arquitetura e sustentabilidade regenerativa ao desenvolver a série de oficinas “Desenho do Projeto de Vida”.

 

Na sua opinião, as expectativas de aprendizagem para as competências de Trabalho e Projeto de Vida estão centra-das na identificação e reconhecimento de sentimentos, de-sejos e crenças limitantes.

 

Para o psicoterapeuta Fraiman, é importante essa intersecção de agentes externos no contexto do ambiente escolar.

 

“A família não é um problema a ser resolvido, é um recurso fantástico que, quando bem trabalhado, potencializa as possibilidades, diminui os estresses, valoriza os investimentos e transforma as relações da escola em um lugar feliz onde as pessoas crescem juntas, para o bem comum”, avalia.


AUTOGESTÃO EMOCIONAL E AUTOLIDERANÇA

Dentre as propostas de trabalho desenvolvidas pela Metodologia OPEE, estão os conceitos de autogestão emocional e autoliderança que, quando colocados em prática junto aos alunos, trazem efeitos construtivos e de longo prazo.

 

“Quando uma pessoa se conhece, se aceita, se acolhe e se valoriza, ela organiza pensamentos, sentimentos e ações, formando hábitos positivos que, com o tempo, tornam-se virtudes vitais – esse indivíduo passa a ter uma chance maior de atingir a felicidade e, com ela, alcançar o sucesso, nas mais diversas áreas da vida”, explica o psicoterapeuta.

 

Um tópico que Fraiman costuma abordar em seus conteúdos é, justamente, essa quebra do que o senso comum às vezes propaga: “É o oposto do que muitos pensam ‘que o sucesso traz a felicidade’”.

 

Na prática, segundo seus estudos, é no momento em que o indivíduo está feliz, em paz consigo mesmo, vencendo medos irracionais, respeitando as regras, mas com audácia, que ele busca superar os limites e seus próprios parâmetros.

 

“Quando fazemos isso, estamos conquistando a autoliderança – e isso vale para o esporte, para a arte, para a ciência e para a música –; aquele que lidera a si mesmo tem uma chance real de tocar a vida dos outros, ele sai da reatividade, da dependência e se torna um ser protagonista da sua própria existência”, afirma.

 

Para Fraiman, esse exercício forma o que ele considera ser uma das mais importantes dimensões na vida de um educador – e, também, dos pais. “Saber que é preciso, primeiramente, olhar não para o aluno, mas para o nosso aluno interior; não olhar para os filhos, mas para nossa educação diante desse filho”, exemplifica. “Em grande parte, aquilo que vemos fora de nós depende da forma como enxergamos a nós mesmos”, conclui o psicoterapeuta.

 

A COMPETÊNCIA NA PRÁTICA

 

Para a diretora da CORE, o papel dos projetos, oficinas e métodos aplicados em sala de aula também está ligado ao fato de que a BNCC não traz – “e nem poderia trazer” – uma forma global de execução dessas competências. “Por isso a importância de colocar em prática o desenvolvimento em casos reais, juntos a educadores e estudantes da Educação Básica”, relata.

 

Antes mesmo de o assunto integrar as novas diretrizes da base, a FTD Educação já contava em seu catálogo com coleções sobre o tema, destinadas a alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. “Acreditamos que a construção de um projeto de vida é parte essencial na formação de alunos durante a Educação Bási-ca. Essa importância é, hoje, cada vez mais reconhecida pa-ra o aprendizado contemporâneo”, garante a coordenadora de Obras Paradidáticas e Projetos Especiais do grupo, Rosa Aparecida Visconti Kono.

 

Do ponto de vista da execução dos conceitos, a coleção oferece o manual do professor, em que são apresentadas as competências gerais e as habilidades específicas trabalhadas no material, assim como sugestões de aprofundamento ou desenvolvimento de cada uma delas.

 

“Além disso, a FTD Educação conta também com con-sultorias destinadas a gestores e educadores, para orien-tá-los a aplicar os conceitos de nossas coleções em sala de aula”, complementa a coordenadora.

 

Ainda sobre a aplicação da competência prevista na BNCC, a FTD Educação também oferece uma parceria com a OPEE, do autor Leo Fraiman, entrevistado nesta reportagem, que é a coleção Empreendedorismo e projeto de vida, que abrange todos os segmentos da Educação Básica.

 

“Temos ainda a revista Mais Feliz, publicação que oferece aos estudantes de 9º ano à 2ª série do Ensino Médio os subsídios para a definição de um projeto de vida abrangente, não apenas ligado à vida profissional”, conclui Rosa.