Gestor em foco

Perguntas para a presidente do CNE

“Será preciso que eles tenham um tempo, para que possam falar sobre suas perdas e descobertas, para, só depois, entrarem numa rotina mais escolar”.

Entre eventos, videoconferências, simpósios e entrevistas para os mais diversos veículos de imprensa, conseguir um horário para ouvir a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a socióloga e professora Maria Helena Guimarães de Castro, exigiu versatilidade entre um compromisso e outro.

Mas ela tem atendido a todas solicitações: na posição que ocupa, sua palavra tem um papel norteador para toda a rede de gestores, docentes, estudantes e familiares.

 

1- Mundo Escolar – Qual será o papel da comunicação (por parte dos gestores e professores) na condução das atividades com segurança, qualidade e equidade?

Maria Helena Guimarães – Mas ela tem atendido a todas solicitações: na posição que ocupa, sua palavra tem um papel norteador para toda a rede de gestores, docentes, estudantes e familiares.

 

2- Por falar em temas como segurança e medo, a Senhora acredita que há uma evolução com relação a isso, para uma retomada das aulas?

Nesse momento, acredito que não. Muitos estados já estão em uma situação de redução dos números relacionados à pandemia mas, mesmo assim, ainda demonstram medo e insegurança. Há uma falta de esclarecimento nesse aspecto, levando em conta que a maioria dos países já teve sucesso no retorno às aulas. Mesmo em países que, mais recentemente, tiveram uma segunda onda de casos, as atividades escolares não foram interrompidas – não está relacionado com a volta às aulas.

 

3- De que forma será possível trabalhar o acolhimento, diante dos impactos psicológicos e emocionais? Qual a importância desse tipo de resposta para os alunos e familiares?

Acredito que todas as escolas devem ter um cuidado muito forte com o acolhimento e os aspectos socioemocionais, em especial com alunos adolescentes e jovens, diante do que vivenciaram no período do isolamento. Já há notícias de que houve um processo de sofrimento para eles, por estarem sozinhos, em casa, longe dos amigos. Para os pequenos, a principal preocupação é com o aumento das denúncias de crianças vítimas de abuso e violência doméstica. Em todos os casos, vai ser preciso que eles tenham um tempo, para que possam falar sobre suas perdas e descobertas, para, só depois, entrarem numa rotina mais escolar.

 

4- A questão da evasão está em pauta? Como prevenir e lidar com esse problema no próximo ano escolar?

Já há estudos em andamento, conduzidos por órgãos nacionais e internacionais como a Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostram dados preocupantes sobre a evasão escolar – em especial na faixa etária acima dos 15 anos. Será preciso conduzir uma busca ativa, ir atrás desses alunos e, principalmente, sinalizar que ele tem chance de recuperar o tempo perdido e, assim, evitar a reprovação. É preciso combater a evasão com medidas positivas e de inclusão de todos, não é justo penalizar esses jovens ainda mais.