docentes

Formação continuada mediada por tecnologia.
Os novos desafios para o desenvolvimento do professor

Diante das propostas da BNCC e os
caminhos para o ensino híbrido, uma reflexão sobre como manter o professor no centro do processo de seu desenvolvimento

Em uma sala de aula lotada de estudantes numa cidade do interior; em turmas reduzidas e específicas na zona rural; num laboratório maker de uma instituição disruptiva; ou na tela de um smartphone. Formar docentes significa preparar um profissional para atuar em cada uma das situações acima descritas – e em uma infinidade de outras.

Versatilidade e heterogeneidade são termos cada vez mais comuns na carreira de professores brasileiros. É preciso estar preparado para desempenhar suas funções em situações e formatos diante das propostas da BNCC e os caminhos para o ensino híbrido, uma reflexão sobre como manter o professor no centro do processo de seu desenvolvimento versos e, certamente, lidar com um público bastante heterogêneo, nos mais diversos segmentos sociais.

O desempenho dessa atividade está no centro do processo que tem como objetivo o acesso à uma educação plena. “Para promovê-la é preciso que profissionais, pesquisadores de diversas áreas do conhecimento e demais atores sociais trabalhem de modo colaborativo e articulado para transformar a realidade das escolas”, pontua o membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), professor Mozart Neves Ramos, em seu artigo intitulado A BNC da formação docente.

O pesquisador, que é titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira do Instituto de Estudos Avançados da USP, em Ribeirão Preto (SP), relaciona a plenitude do conceito à dimensão qualitativa da educação – e, não apenas, à quantidade de tempo na escola.

 

APRENDER A SER

 

O aprender a ser, ressalta Ramos, tem centralidade sobre as demais dimensões da aprendizagem, por permitir uma visão singular sobre o estudante e uma conexão da escola com seus projetos de vida.

O docente, que foi relator da Base Nacional Comum de Formação de Professores da Educação Básica no CNE, destaca o papel da BNCC nessa busca. “O Brasil dispõe de um importante instrumento, que traz dez competências gerais que representam um conjunto de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes que buscam promover o desenvolvimento dos estudantes em todas as suas dimensões: intelectual, física, social, emocional e cultural”, reforça.

O texto da base, prossegue, deve não apenas fundamentar a concepção, formulação, implementação, avaliação e revisão dos currículos e das propostas pedagógicas das instituições escolares, como também deve contribuir para a articulação e coordenação nacional de políticas e ações educacionais, em especial no que se refere à formação inicial e continuada de professores.

 

OS REFERENCIAIS DOCENTES

 

Tais referenciais, explica Ramos, consistem em uma descrição do que os professores devem saber e ser capazes de fazer, e são considerados o ponto de partida na sua jornada de preparação.

Essa trilha, segundo o documento do Ministério da Educação (MEC), pauta na sua concepção essa formação docente com base em três dimensões: conhecimento, prática e engajamento profissionais.

“Anteriormente, reconheceu-se o conhecimento profissional como a base estruturante para o exercício da profissão e a prática profissional dificuldades detectadas durante a prática do ensino remoto”, escreve.

A palavra formação, afirma Cipriano, pressupõe uma revitalização crescente nos últimos tempos. “Aparece associada à educação, evoca contextos diferenciados (inicial, continuada, especializada, profissional, em contexto de trabalho, em alternância) além de espelhar uma continuidade no tempo, na expressão de formação ao longo da vida”, elenca.

 

FORMAÇÃO CENTRADA NA ESCOLA

 

Na visão da pesquisadora, impõem-se criar um espaço de interação que possibilite o desenvolvimento pessoal e profissional, articulados entre si, de forma sistemática e intencional, apropriando- -se dos processos de formação e, concomitantemente, oportunizando um significado para as suas próprias histórias de vida.

“A formação centrada na escola fundamenta-se conceitualmente na interação entre os profissionais da educação, em seus contextos de trabalho e traz no seu bojo uma prática de natureza colaborativa, implicando em ações específicas para a definição de pressupostos”, comenta.

Um cenário que é embasado em valores e propostas de ação que, complementa a doutora, ultrapassem o individualismo, a dependência e o isolamento para que se possa promover a construção de um trabalho de autonomia e autorregulação, mediado pela crítica colaborativa.

 

PROFESSOR PROTAGONISTA

 

Na opinião de Cipriano, considerar o profissional de educação como sujeito do seu processo de formação revela uma concepção de professor potente e capaz de assumir as decisões sobre os seus fazeres, construir propostas pedagógicas, elaborar projetos e instrumentos didáticos que estejam de acordo com as demandas específicas e alinhados com o contexto de atuação.

“As características estão intimamente relacionadas entre si – destaca o conhecimento baseado na experiência individual e coletiva, no cotidiano, no conhecimento do contexto vivido que passa a ser validado pela concretização na ação pedagógica”, analisa.

A autoria do professor protagonista se dá no contexto de trabalho, tendo a sua voz escutada em espaços abertos para as manifestações de ideias, valores, princípios, anseios no sentido de revelações das suas crenças em relação à contribuição com as propostas da atividade.

 

OS UNIVERSOS QUE A AÇÃO DO PROFESSOR DEVEM ABORDAR

 

Em seu artigo, a acadêmica Emília Cipriano delimita um plano de ação que deve contemplar as experiências vividas e os conhecimentos em uma cultura ampla, revisitando temas como:

  • Gestão Educacional;
  • Estrutura Curricular;
  • BNCC;
  • Metodologia ativa;
  • Interdisciplinaridade / transdisciplinaridade;
  • Avaliação educacional;
  • Cultura digital.