PROJETO DE VIDA E SOCIOEMOCIONAL

A relação entre a atitude empreendedora na escola e um mundo melhor

Trabalhar temas como empreendedorismo e projeto de vida pode ter relação direta com a formação de seres humanos mais comprometidos com o conceito de excelência em suas atitudes

O jogador de basquete Kobe Bryant, ala-armador do Los Angeles Lakers, que morreu em 2020, vítima de um acidente de helicóptero, marcou mais de 33 mil pontos na carreira, acumulando US$ 328 milhões apenas nas quadras (mais outros US$ 350 milhões em publicidade).

Aos 20 anos de carreira, a cantora pop Beyoncé, coleciona cerca de 600 indicações das maiores premiações do mundo da música e cultura pop – sendo premiada em mais da metade delas.

O jogador de futebol português Cristiano Ronaldo, que fez fama no espanhol Real Madrid, mas que hoje atua na italiana Juventus, é considerado um dos maiores artilheiros da história: marcou mais de 770 gols, em uma contagem que ainda está em andamento.

“Esses são exemplos de profissionais que não se contentaram em fazer simplesmente o ‘ok’, mas que souberam utilizar as bases do aprendizado constante e da humildade, para mostrar ao mundo que, para eles, não existe performance básica”. A explicação é do psicoterapeuta e escritor, Leo Fraiman, e está relacionada às formas de identificar, no processo educacional, o comportamento empreendedor e outras competências socioemocionais.

Características que, segundo o autor da metodologia OPEE, podem ser exemplificadas tanto nos grandes expoentes de cada área como, também, em pessoas comuns.

 

CONTRIBUIR COM UM MUNDO MELHOR

 

Trabalhar o empreendedorismo nos bancos escolares se aproxima de um compromisso ético que está ligado ao ato de contribuir com o mundo da melhor forma possível. “Na prática, se eu ver um problema eu penso como ajudar; se vejo uma dificuldade, procuro o melhor ângulo para encará- la; se tenho uma derrota ou frustração, busco uma forma mais humanizada, auto compassiva e proativa de lidar com aquilo”, ressalta Fraiman.

Apesar do início deste artigo citar grandes nomes em suas áreas de atuação, a atitude empreendedora está em todos os campos e profissões – no desempenho de cada atividade das melhores e mais nobres formas possíveis. “Você pode ter um funcionário público empreendedor, um bom profissional que não permita, por exemplo, a compra de uma ambulância com teto solar, que não autorize a compra de um carro fúnebre de luxo. É o ato de fazer ao mundo o meu melhor”, diz.

 

FORMAÇÃO INTEGRAL

 

Diante dos desafios de um cotidiano complexo, exigente, ambivalente e com pouca clareza, trabalhar o projeto de vida com os alunos assume uma característica fundamental.

“Matemática, Física, Química etc, sempre foram e sempre serão importantes – são a base para a memória de longo prazo, pois fornecem a essência do pensamento lógico analítico completo”, pontua o psicoterapeuta. As competências socioemocionais, destacadas no texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aliadas a esses temas, atuam de maneira importante na formação do cidadão.

“Dentre elas, o projeto de vida e atitude empreendedora oferecem a uma formação integral e integrada – e é preciso que isso seja um trabalho feito não apenas em um uma aula, mas por diversas frentes dentro do contexto escolar”, complementa.

 

GOSTO PELA VIDA

 

O autor, que costuma ter seus conteúdos “viralizados” nas redes sociais pelo impacto que as palavras causam nas mais diversas audiências, ressalta a importância de se ir além do currículo, para incentivar o que ele classifica de “gosto pela vida”.

“Talvez seja um dos grandes desafios da escola: ajudar crianças e adolescentes a apreciarem a si mesmos e aos demais, ao país, ao mundo, ao planeta e ao futuro – o projeto de vida se relaciona com esse ato de auto responsabilidade”, pontua. Na prática, o especialista enxerga um terreno Na prática, o especialista enxerga um terreno fértil para abordagens em sala de aula, seja nas metodologias, seja nos exemplos atuais de como os esforços que estão sendo depositados para a difusão de hábitos de higiene e o desenvolvimento de vacinas, a preocupação com o meio ambiente e o reaproveitamento de alimentos, para um consumo mais sustentável.

O cidadão do futuro, explica Fraiman, é aquele que está disposto a “aprender e a reaprender, a usufruir e a criar, que tem todos os recursos cognitivos, emocionais, sociais e espirituais”.

 

COMO AVALIAR ESSES CONCEITOS

 

Os contextos acima explorados têm como base o caráter socioemocional, um tema presente em quase 50% das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Das dez elencadas no texto, quatro são dessa natureza: Autonomia e responsabilidade; Empatia e cooperação; Autoconhecimento e autocuidado; e Autogestão.

Com o objetivo de proporcionar uma abordagem mais humana, a proposta é que esses pilares sejam trabalhados de forma transdisciplinar, para estabelecer uma formação integral dos estudantes.

E isso significa trabalhar com essas temáticas em todas suas possibilidades. Além da autoavaliação, que é um exercício natural a que o aluno é incentivado nessas áreas, há, ainda, outras formas de se obter métricas sobre esse conhecimento.

Com a missão de permitir uma avaliação diagnóstica sobre o desenvolvimento socioemocional de uma determinada turma de estudantes ou rede, o Instituto Ayrton Senna desenvolveu um instrumento psicométrico. “O SENNA mapeia o perfil das características pessoais socioemocionais no contexto escolar (e que podem ser trabalhadas nos ambientes de aprendizagem), com bons indicadores de confiabilidade e validade científica”, detalha a gerente de Projetos do instituto, Juliana Candian.

O resultado, afirma, permite entender o desenvolvimento atual das competências socioemocionais para auxiliar na tomada de decisão política e de gestão dos ambientes educacionais.

O instrumento tem como público alvo os estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais (6 º ao 9 º ano) e do Ensino Médio (1 º ao 3 º ano).

 

SUSTENTAR EIXOS DAS FORMAÇÃO HUMANA

 

Para trabalhar temas como projeto de vida e empreendedorismo, os conteúdos da metodologia OPEE oferecem subsídios para atuar em pilares como formação humana, o autoconhecimento, a inteligência emocional e a atitude empreendedora – a FTD Educação tem parceria exclusiva com a iniciativa.

“A coleção de Projeto de Vida e Empreendedorismo contempla toda a educação básica, ou seja, da Educação Infantil ao Ensino Médio”, ressalta a gerente de Produtos e Inteligência Competitiva, Roberta Campanini.

Com produtos direcionados tanto ao aluno quanto ao docente e à família, teve sua matriz iniciada há mais de uma década. “A expectativa na comunidade escolar é que os alunos sejam mais conscientes e empreendedores da sua própria vida”, conclui.

 

NÃO EXISTE “FÓRMULA MÁGICA” NO EMPREENDEDORISMO – POR LEO FRAIMAN

 

“Esse é o grande ‘segredo’ a ser ensinado para os alunos: não existe ‘segredo’ na construção do sucesso. O que há, de fato, são competências que podem e devem ser treinadas ao longo da vida e que envolvem, novamente, o aprendizado das matérias escolares. Essa base chamada aprender a pensar é o que nos dá a potencialidade de criar, intuir, prosperar, em resumo, empreender. É um erro muito grave desprezar os conteúdos formais da escola achando que o empreendedorismo pode andar de forma independente da aprendizagem cognitiva formal da escola. Na verdade uma completa a outra.”